sexta-feira, novembro 30, 2012

FIM DO MISTÉRIO, FIM DO ENIGMA: O QUE É UMA IGREJA CAQUEIRA?

 

Transplantio

As Escrituras Sagradas nos apresentam a Igreja do nosso Senhor Jesus Cristo, que foi comprada pelo seu precioso sangue, através de diversas figuras:

(1) Corpo (1Co 12; Ef 1.22-23; 4.15-16; Cl 2.19);

(2) Templo ou Edifício (1Co 3.9-16; 1Pe 2.4-8;

(3) Noiva (Ef 5.32 2Co 1.2);

(4) Família (Ef 3.15; Rm 8.14-16);

Entre outras coisas, sabemos que a Igreja tem dois aspectos: Ela é visível (como os homens a veem) e Invisível (como Deus a vê).

Também é comum falar de outros dois aspectos da igreja: A militante (formada pelos crentes vivos) e a Triunfante (formada pelos que morreram em Cristo).

Após estas informações, surge a pergunta: O que é uma igreja caquera. Vou explicar.

Muita gente já sabe que eu, juntamente com o Rev. Victor Ximenes, estaremos iniciando a plantação de uma nova igreja, a Igreja Presbiteriana Redenção, que funcionará nas instalações do Seminário Presbiteriano do Norte em Recife, a partir de janeiro de 2013.

Conversando com um antigo amigo, irmão e colega de ministério sobre o assunto, ele me desestimulou a iniciar este trabalho, tendo em vista que outra igreja em Recife desejava que eu fosse o seu pastor. “Como trocar uma igreja pronta por uma igreja caquera?” Explicou ele, “essa igreja que você quer plantar ou nunca vai crescer e/ou vai ficar mudando de lugar”.

Eu achei ótima a nomenclatura. Quanto à primeira proposição, não fiquei desestimulado, até porque o Senhor Jesus Cristo, quando anunciou a sua Igreja Neotestamentária, disse que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela. Inclusive ele comissionou aos seus discípulos para uma tarefa, não menor do que conquistar o mundo, quando ele afirmou: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.18-20). Daí posso dizer, que cumpriremos a missão e os frutos ficarão a cargo do seu Santo Espírito e cremos que acontecerá algo semelhante ao que aconteceu a Igreja Primitiva: “Assim, as igrejas eram fortalecidas na fé e, dia a dia, aumentavam em número” (At 16.5).

Quanto à segunda proposição, disse-lhe não haver problema, até porque no Antigo Testamento, a igreja um dia foi itinerante, até que foi finalmente estabelecida, em local fixo. O primeiro caso foi o Tabernáculo, que era um templo móvel e foi usado como local para se cultuar a Deus, até o momento em que Salomão construiu o templo e aí fixou o lugar de adoração, no Monte Sião, em Jerusalém. A Igreja Veterotestamentária, portanto, também passou por esse estágio, isto é, foi uma igreja caquera, até o dia que Deus quis.

Com a Igreja Neotestamentária não foi diferente. Quando ela nasceu não tinha templos, afinal de contas templos não é a igreja do Senhor, que na realidade, é formada por pessoas compradas pelo derramar do precioso sangue do Senhor Jesus Cristo, vertido na cruz do calvário, pelos eleitos de Deus, chamados eficazmente pelo Espírito Santo (cf. Ef 1.3-14). Podemos observar isto quando o apóstolo Paulo, inclusive cita igrejas que eram abrigadas nas casas de pessoas (Cf. Rm 16.4; 1Co 16.19). Só em séculos posteriores, possivelmente, no século quarto, com Constantino ou Teodósio, a igreja começou a construir templos. Portanto, a Igreja Neotestamentária, também passou por esse estágio, isto é, foi uma igreja caquera, até o dia que Deus quis.

Portanto, tomando por empréstimo, a nomenclatura pejorativa daquele querido colega de ministério, defino uma Igreja Caquera, como sendo uma igreja plantada em determinada localidade, formada por crentes comprados pelo precioso sangue de Cristo, vertido na cruz do calvário pelos eleitos de Deus e aplicado nas suas vidas, eficazmente, pelo Espírito Santo, que em algum momento, poderão mudar de lugar, quantas vezes forem necessárias, porém, jamais deixarão de ser igreja. E que em um momento certo, determinado por Deus, conseguirão construir o templo da igreja, que deixará de ser caquera e se tornará fixa.

Espero não ter frustrado ninguém com minha resposta, mas é exatamente assim que penso e que creio, com base na revelação de Deus, a Bíblia Sagrada, a minha única regra de fé e prática.

Que Deus nos abençoe!

Rev. Marcos André Marques

2 comentários:

Filósofo Calvinista disse...

Prezado Rev.Marcos:

Fiquei curioso em saber sobre a "igreja caqueira", por isso cá estou...rs.

Permita-me dar minha insignificante opinião.

Antes, quero dizer que vejo sua vontade de plantar novos campos como algo realmente estimulante e como um grande sinal de que a igreja não vai tão mal quanto, muitas vezes, pensamos. Digo isso porque essa vontade e visão é muito rara hoje em dia entre os pastores. Na verdade, esse seu colega de ministério apenas externou o que muitos; a maioria, eu diria, realmente pensa. A prova disso são presbitérios abarrotados de "pastores sem campo", quando estranhamente Jesus avisa que "a ceara é grande mais os trabalhadores são poucos". Essa equação realmetne não está fechando e quando a equação não fecha pode ser um aviso para que as premissas sejam revisadas. Talvez seja o caso. Porém, é muito ver um pastor, um importante teólogo, com esse entusiasmo em abrir novos campos.

Dito isso, pergunto: abrir uma igreja no campus do Seminário seria realmente ideal, quando temos tantas comunidades sem sequer uma igreja Presbiteriana? Essa ideia não estaria perpassada por uma opção mais cômoda para os obreiros?

Acho que esse assunto é muito importante. Seria interessante abrirmos um debate franco sobre essa questão.

Tudo de bom!

Daladier Lima disse...

Prezado Pr. Marcos André, sua explanação foi elucidativa. A igreja está em movimento. Infelizmente, alguns líderes míopes não compreendem o fervor missionário. Não sou presbiteriano, mas conheço homens de grande envergadura no quesito como Ronaldo Lidório.

Que o senhor tenha Deus a direção para plantar muitas caqueiras!

Abração!

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